Liderança pós Covid19

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Recentemente, reli as MEMÓRIAS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL de Winston Churchill e que acabou sendo o Prêmio Nobel de Literatura de 1953.  Para quem pensa em liderança em momentos de crise, é uma aula.

Dos vários ensinamentos que se podem extrair, o que eu destaco neste artigo é a conexão perfeita que Churchill tinha com o cenário real daqueles anos de guerra.

Para qualquer líder, o desafio é a compreensão do contexto, o entendimento do peso real de cada acontecimento e a partir disso, liderar. Porque a liderança é voltada à situação real que se está vivendo e para aquela que se pode projetar a partir deste ponto.

Então agora, vamos refletir sobre o nosso contexto atual:

  1. Demos um salto para o futuro de 5 anos pelo menos.

Trabalho remoto veio para ficar, ensino a distância veio para ficar, telemedicina veio para ficar, terapia por Zoom veio para ficar, viagens de trabalho mais seletivas serão um padrão, eventos corporativos virtuais passarão a disputar espaço com os eventos físicos (híbridos?  Assim como as viagens de trabalho, serão mais seletivos e menos frequentes.

Com isso, a estrada feita às pressas para suportar a quarentena será pavimentada com tecnologias mais seguras, melhores e mais confiáveis e com uma barreira de resistência menor, pois todos foram levados a experimentação e o mundo se saiu muito bem. Não sem tremendo esforço, mas merece palmas. Nasce uma nova cultura e tudo que puder ser virtual, será!

  • Nossa crise é de saúde e todas as empresas a partir de agora tem que ser empresas de saúde, antes de mais nada.

Seja porque já atuam ou venham a criar um nicho de saúde para atuar, seja porque criam condições de segurança para o consumo de seus produtos/serviço (de saúde ou não). Sairemos germofóbicos desta pandemia e nossos comportamentos e decisões de consumo estarão 100% ligados à segurança com a saúde.

A cultura do “não posso faltar e não vai ser uma gripe que vai me derrubar”, vai dar lugar a outra, porque saúde tem a ver com clientes e colaboradores. Ambientes seguros é o lema!

  • Minha casa, meu lar, meu tudo … a Accenture batiza, em um de seus relatórios, de cocooning (encasulamento), uma das fortes tendências que já estão sendo notadas.

O lar é o centro e tudo que der conforto, qualidade e segurança para a vida em casa será central e um mercado importante. Reformas serão feitas para ampliar e modificar a função dos espaços tradicionais de sala, quarto, banheiro e cozinha. Ela terá novos papéis como lugar de trabalho, estudo e reuniões sociais (baladinhas e shows ainda vão demorar bastante para voltar). Ela não vai precisar estar num centro urbano, onde os lugares são pequenos e caros. O trabalho pode estar em qualquer lugar, em qualquer país e esse casulo vai demandar conforto e tecnologia para todos os níveis da pirâmide social.

  • Tecnologia e futuro incerto.

Sem tecnologia não há futuro, nem para as empresas, nem para os profissionais.

Os dois tem que se atualizar e continuar a pensar no futuro, mesmo que tenham feito atualizações recentes. É um pé cá e um pé no mais adiante. Quando as coisas perdem seu fio condutor, como é o caso desse nosso salto pós Coronavírus, será a cultura do errar rápido, mas sem deixar de testar coisas, o que definirá o sucesso. Essa prática trazida pelas startups é para todos, sejam empresas ou indivíduos.

Não há espaço para uma cultura do medo e diversidade será fundamental.

Diversidade fortalece um time, eleva o estado de consciência e a criatividade.

Escuta ativa será uma das maiores ferramentas de um líder.

Voltando ao nosso líder e herói de guerra Churchill e pensando nesse passo mais à frente, logo depois do sucesso do desembarque da Normandia, um general americano comentava com o presidente Roosevelt sobre como foram fundamentais as ilhas artificiais criadas para ajudar naquele desembarque. Ao que o presidente americano teria dito, “foi mais uma daquelas ideias do Churchill e ele tem pelo menos 10 dessas ideias por dia”.

Uma curiosidade dessa história é que, numa das viagens de Churchill para os EUA, em plena guerra, ele foi atravessar uma rua, olhou para o lado errado (mão inglesa é invertida) e foi atropelado. Ficou algumas semanas se recuperando, hospedado na Casa Branca. Dizem os biógrafos que Churchill, que dormia muito tarde, batia no quarto do presidente Roosevelt, que dormia muito cedo, toda vez que achava que tinha uma ideia genial. Veja que interessante:  Home office e trabalhar de pijamas já existe há muito tempo…

  • Temos medo e estamos fragilizados. É muita mudança num espaço muito curto de tempo. As empresas demitiram e demitirão ainda. Algumas ficarão pelo caminho, estamos em quarentena e tendo que trabalhar, cuidar da casa, educar filhos e corresponder às expectativas de chefes.  Você que é líder, não espere supermulheres e super-homens, eles não existem.

Empatia é fundamental e agora é que vamos ver quem sabe cuidar de gente ou que apenas sabe falar sobre. Divida seus medos, compartilhar humanidade é essencial para criar vínculos de confiança, mas seja otimista, as pessoas precisam de referência e apoio.

Times engajados vão muito mais longe.

Para você líder, esses são os cenários. Negar estas mudanças é um risco, elas estão aí e vieram para ficar. Ainda que haja muita fumaça atrapalhando a leitura perfeita, a velha frase de que ninguém sai de uma crise da maneira que entrou é muito verdadeira.

O personagem que usei de inspiração pra escrever este artigo, herói e pessoa mais reverenciada da Europa na época, foi derrotado na primeira eleição que aconteceu pouco depois de terminada a guerra. Ele, aristocrata, monarquista e ferrenho defensor do império britânico não percebeu as mudanças que aconteciam na sociedade, as demandas por maior justiça social, por maiores direitos trabalhistas e igualdade de gênero. Saiu vitorioso e herói de uma guerra mundial, mas esqueceu que nenhuma sociedade sai de uma crise da mesma maneira que entrou.

Autor Rogério Estevão

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